No princípio este Blog era dedicado a comentar a "arghtetura" que grassa em todo canto.Alquimíca: porque seus autores conseguem transmutar concreto, aço, vidro e outros materiais em pura merda. Com o tempo, foram acrescentados "contra-exemplos": alquimia inversa à supracitada (reciclagem,arquitetura alternativa, sustentabilidade, novas tecnologias, etc,..). Aceitam-se imagens e crônicas. Envie-as para arquiteturaalquimica@bol.com.br
Isto é um "Palácio matrimonial", ou seja, local próprio para a realização de casamentos. Segundo consta na página http://www.pingmag.jp/2006/09/13/frederic-chaubin-soviet-sf-style/ , casamentos não eram e não são realizados em igrejas e sim em casas deste tipo.
A foto, assim como a anterior, é de Frederic Chaubin. Mais informações e outras fotos da arquitetura russa do período soviético vc encontra no link acima.


Uma das explicações da origem do nome Morumbi é que viria do indígena mará-obi, ou "peleja oculta". No Morumbi, em São Paulo, a peleja não é tão oculta. Do lado direito da foto está um prédio típico do bairro, com uma piscina por varanda. Do lado esquerdo estão construções também típicas do bairro, os barracos de Paraisópolis. A segunda maior favela da cidade tem 80 mil pessoas. É só uma das 2018 favelas paulistanas. Do 1 bilhão de favelados do mundo, São Paulo contribui com 1 milhão.
O biscateiro Luiz Fernando Barreto de Queiroz Bispo, de 40 anos, inaugurou a piscina em seu "quintal": no meio do Canal do Cunha, no subúrbio do Rio, próximo à Ilha do Fundão, na Ilha do Governador. (Foto: Custódio Coimbra) Ag O globo 12/04/2007 - 20h48
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São borrados, tênues os limites entre o que comumente se chama kitsch e o que chamo aqui de "arquitetura alquímica".
O exemplar do primeiro post, por exemplo, oscila entre um e outro.
Penso que talvez o kitsch em arquitetura conserve algo daquilo que é o naif na pintura: falta de pretensão, uma certa espontaneidade e descompromisso com a "tendência do momento" ou com o "bom gosto" acadêmico. O kitsch seria uma "customização" intuitiva do usuário/proprietário da construção, o acréscimo - muitas vezes a posteriori - das referências estético/afetivas do morador. Já a arquitetura alquímica praticada por "profissionais"reflete uma certa pretensão estilística, arrogância ou afetação pseudo-acadêmica. Tem predominado atualmente uma certa referência Miami: grandiloquência, abuso da simetria e de coloridos diferentes nos telhados e nas paredes externas, colunas sem função estrutural, enfeitadas com frisos, relevos e escala monumental.
Ao observar o exemplo anexado a este post, meu tio (que é arquiteto), sugeriu um diagnóstico interessante: disse que aparentemente o "alquimista" autor do projeto tinha "preocupações volumétricas", um certo cuidado em distribuir a simetria lateral e alto/baixo. Mas a atenção à distribuição dos volumes não levou em conta, por exemplo, o ambiente. É uma casa à beira-mar e a viga frontal da sala simplesmente impede que se veja a linha do horizonte.
Sobreposto a isso observa-se a ostentação, a utilização de colunas ornamentais, tudo isso sacrificando a criação dos espaços (na minha época de estudante estava na moda definir a arquitetura como "criação de espaços". Não sei se hoje ainda é assim) e a funcionalidade. Nem mesmo está em discussão se aqui antes foi pensada a forma ou a função: ambas são igualmente sacrificadas.
Foram feitas, certamente, concessões ao proprietário-cliente: ou será que de sã consciência alguém que fez 5 anos de faculdade ousaria propor que o forro de um dos quartos tenha um detalhe em forma de coração e o outro um detalhe em forma de borboleta, por exemplo? E ainda há um terceiro quarto, com o detalhe em forma de estrela...
FÁBULA DE UM ARQUITETO A arquitetura como construir portas, de abrir; ou como construir o aberto; construir, não como ilhar e prender, nem construir como fechar secretos; construir portas abertas, em portas; casas exclusivamente portas e teto. O arquiteto: o que abre para o homem (tudo se sanearia desde casas abertas) portas por-onde, jamais portas contra; por onde, livres: ar luz razão certa. Até que, tantos livres o amedrontando, Renegou dar a viver no claro e aberto. Onde vãos de abrir, ele foi amurando opacos de fechar; onde vidro,concreto; até refechar o homem: na capela útero, com confortos de matriz, outra vez feto. |